Especialistas apontam custos financeiros como freio ao crescimento
Banco Central do Brasil – Dados oficiais mostram que, nos 12 meses encerrados em março, o Tesouro gastou R$ 1,08 trilhão apenas com juros, patamar que fez a Dívida Bruta do Governo Central saltar para 80,1% do PIB e reforçou o debate sobre quem realmente pressiona as contas públicas.
- Em resumo: Juros responderam por 2,4 pontos percentuais do avanço da dívida, enquanto o déficit primário teve impacto muito menor.
Quando o custo do dinheiro supera o ajuste fiscal
O próprio comunicado fiscal do BC detalha que o peso dos juros duplicou o passivo em um ano, contrariando a ideia de que o gasto social seria o principal gatilho da dívida. Para a professora Juliane Furno (UFF), “é hipocrisia dizer que a Selic alta é reação ao desequilíbrio fiscal – ela é a causa central”.
“Cada 1 ponto na Selic adiciona mais de R$ 50 bi ao serviço da dívida”, registra o BC nas atas do Copom de abril.
Impacto direto no crédito, consumo e investimentos
No ranking global da plataforma World & Interest, o juro real brasileiro (Selic descontada a inflação) só perde para o da Rússia, dificultando a tomada de crédito e a expansão de oferta produtiva. Segundo a B3, o custo médio de capital das empresas listadas sobe cerca de 2,5 p.p. para cada elevação de 1 p.p. na taxa básica, travando projetos e empregos.
Economistas da UFRJ e da UnB lembram que cortes lineares em saúde e educação têm efeito limitado na dívida, mas reduzem a atividade e, portanto, a arrecadação. Já a despesa financeira é automática: quanto maior a Selic, maior o cheque mensal ao mercado.
Como isso afeta o seu bolso? Taxas de cartão, empréstimo pessoal e financiamento imobiliário repassam esse juro soberano quase imediatamente, encarecendo dívidas familiares e comprimindo o poder de compra. Para entender outras variáveis que movem seu dinheiro, acesse nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil