Escalada do preço do gado nos EUA pressiona margens e sacode investidores
JBS (JBSS32) — Maior processadora de proteínas do mundo, a companhia divulgou lucro líquido de US$ 221 milhões no 1T26, retração de 55,8% frente ao ano anterior, o que acendeu o sinal amarelo no mercado nesta terça-feira (12).
- Em resumo: BDR recuava 5,47% às 11h30, enquanto o papel em Nova York cedia 6,68% no mesmo momento.
Estados Unidos puxam o freio: custo do boi e greve penalizam resultado
A unidade norte-americana de carne bovina — um terço da receita do grupo — registrou Ebitda ajustado negativo de US$ 267 milhões, com margem de –3,7%. O fator-chave foi o encarecimento do gado vivo, consequência direta da menor oferta de animais nos pastos dos EUA, como mostram dados do Departamento de Agricultura compilados pela Reuters.
“Os resultados do primeiro trimestre trazem tendências já amplamente refletidas em nossas estimativas; a magnitude, porém, surpreendeu sobretudo em carne bovina”, apontou o BTG Pactual.
Analistas do Itaú BBA também destacam a greve em um frigorífico e as paradas programadas na Pilgrim’s Pride como fatores pontuais que ampliaram a pressão sobre o Ebitda consolidado, que caiu 26%, para US$ 1,13 bilhão, apesar do avanço de 11% da receita líquida.
O que muda para o investidor: histórico e próximos passos
A escalada do boi gordo nos EUA não é nova: desde 2023 o rebanho americano encolhe e impulsiona o índice de preço de commodities pecuárias, que soma alta de quase 20% em 12 meses. Para além do choque imediato, a JBS conta com diversificação geográfica — Brasil e Seara mantiveram desempenho sólido — como amortecedor potencial caso a escassez persista no mercado norte-americano.
Como isso afeta o seu bolso? A continuidade da pressão de custos pode limitar dividendos e alongar o ciclo de reprecificação das BDRs. Para acompanhar de perto o noticiário de proteínas e demais blue chips, acesse nossa editoria de Mercado e Ações.
Crédito da imagem: Divulgação / JBS