Desastre nuclear virou conta permanente que ainda assusta investidores
Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — Trinta e oito anos após a explosão do reator 4, a usina de Chernobyl continua consumindo recursos públicos e privados para manter a radiação sob controle, um efeito colateral que pressiona o caixa do governo ucraniano e amplia o risco de seguradoras e fundos expostos à região.
- Em resumo: monitoramento mensal no labirinto radioativo ainda custa dezenas de milhões de dólares por ano.
Monitoramento contínuo exige investimentos de alto risco
Apenas o Novo Confinamento Seguro, a gigantesca cúpula de aço erguida em 2016, custou cerca de US$ 2,2 bilhões, segundo levantamento da Reuters. Dentro dele, o pesquisador Anatolii Doroshenko percorre, mês a mês, corredores contaminados para checar medidores, coletar amostras e garantir que as 200 toneladas de combustível nuclear remanescentes não entrem em reação imprevista.
“Em algumas salas a radiação é tão alta que as tarefas precisam ser concluídas em menos de quatro minutos”, relatou Doroshenko à BBC.
Quarenta anos de obras à frente e a fatura não para
A previsão oficial é de quatro décadas para remover totalmente o combustível e descontaminar a área. Até lá, os gastos anuais incluem salários de equipes especializadas, reposição de equipamentos de proteção descartáveis e inspeções independentes exigidas por órgãos reguladores europeus. Para investidores estrangeiros, o quadro gera prêmios de risco mais altos em títulos ucranianos e apólices específicas de responsabilidade nuclear.
Como isso afeta o seu bolso? Custos crescentes tendem a ser repassados via tributação ou tarifas energéticas em mercados interligados. Para mais detalhes sobre desastres que moldam o cenário econômico, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC