Custo maior, área segurada menor e Selic em 15% criam “tempestade perfeita” no campo
Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) – A entidade reviu para baixo, recentemente, sua projeção de faturamento do seguro rural após o governo bloquear R$ 445,1 milhões dos R$ 1,06 bilhão previstos no orçamento de 2025. O corte, somado à Selic no pico de 15% e ao clima adverso, deve provocar nova retração de 3,9% na arrecadação em 2026, após queda de 8,8% no ano passado.
- Em resumo: menos subvenção encarece a apólice e reduz a área protegida, elevando o risco financeiro do produtor.
Bloqueio fiscal vira sinal vermelho para apólices no agro
Desde janeiro, seguradoras aguardam o repasse de cerca de 70% da verba promessa. Enquanto isso, a área agrícola segurada despencou de 13,7 milhões para pouco mais de 3 milhões de hectares nesta década – apenas 3,3% do total cultivado. Para comparação, os Estados Unidos protegem 227 milhões de hectares, segundo levantamento da Reuters.
“Somando o custo de produção elevado e o endividamento em alta com a falta de apoio do governo, o produtor acaba não conseguindo comprar o seguro”, resume Gláucio Nogueira Toyama, presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg.
Por que a conta pesa mais no seu bolso – e no PIB?
Sem cobertura, perdas climáticas podem levar o agricultor ao default, encurtando capital de giro e achatando investimentos na próxima safra. Como o agronegócio responde por quase 25% do PIB brasileiro, choques sucessivos tendem a desembocar em menor oferta de alimentos e pressão sobre preços ao consumidor.
Historicamente, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) foi lançado em 2004 para bancar até 20% do prêmio de cada apólice. Em 2021, a dotação chegou a R$ 1,2 bilhão, mas vem encolhendo desde então. Na China, o subsídio supera US$ 10 bilhões anuais, indicando a distância do Brasil em políticas de mitigação de risco.
No Congresso, tramita projeto de lei que transforma a subvenção em despesa obrigatória, blindando-a de contingenciamentos e permitindo incentivos como juros menores. Caso avance, o setor calcula que a arrecadação volte a crescer só em 2027.
Como isso afeta o seu bolso? A volatilidade nos custos do alimento e a insegurança no campo podem chegar à gôndola do supermercado. Para acompanhar cada passo dessa negociação, acesse nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters