Guerra comercial, Taiwan e IA entram na mesa de negociações
Casa Branca e o governo chinês movimentam os mercados ao confirmarem, para 14 e 15 de maio, a visita de Estado do presidente Donald Trump a Pequim — reunião vista por analistas como decisiva para tarifas, chips e até o preço do petróleo.
- Em resumo: acordos sobre tarifas americanas de até 100% e compras agrícolas chinesas podem sair da estagnação.
Tarifas e exportações agrícolas no fio da navalha
A temperatura esfriou desde a decisão da Suprema Corte dos EUA, em fevereiro, que limitou o poder tarifário de Trump. Ainda assim, o republicano sinaliza que pode reativar sobretaxas se não obtiver mais compras de soja e milho pelos chineses, segundo dados da Reuters.
“Pode ser difícil para os EUA desistirem das investigações sobre práticas comerciais desleais, considerando o quão disseminadas elas ainda são”, aponta Michael O’Hanlan, do Instituto Brookings.
Do lado de Xi Jinping, a moeda de troca envolve aliviar o cerco a minerais de terras raras — insumo que a China processa em 90% do volume mundial e que é vital para semicondutores, turbinas e veículos elétricos.
TikTok, chips e a nova corrida da inteligência artificial
Washington restringe a exportação dos microprocessadores mais avançados para Pequim, alegando risco de espionagem industrial. A China rebate com subsídios bilionários a robôs humanoides e sistemas de IA, numa disputa que já foi chamada de “primeiro capítulo da Guerra Fria digital”.
Historicamente, conflitos tecnológicos precederam ajustes cambiais: durante a escalada de 2018, o yuan perdeu 7% frente ao dólar. Se um novo choque tarifário ocorrer, a pressão sobre a moeda pode se repetir, encarecendo produtos importados e pressionando a inflação global.
Taiwan e petróleo elevam o risco geopolítico
A venda de armas americanas de US$ 11 bilhões a Taiwan irrita Pequim, que quer linguagem mais dura de Washington contra a independência da ilha. Nos bastidores, Xi negocia também um cessar-fogo no Estreito de Ormuz para conter a alta do barril de petróleo — custo que já subiu 20% para indústrias têxteis e químicas chinesas.
Como isso afeta o seu bolso? Qualquer impasse pode espalhar volatilidade nas bolsas e nos preços de combustíveis. Quer acompanhar os próximos lances desta negociação? Visite nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters