Projeto em regime de urgência prevê 40h semanais sem cortar salário
Governo Federal – O Projeto de Lei 1838/2026, encaminhado em regime de urgência, quer encerrar a escala 6×1 e limitar a jornada a 40 horas semanais, com duas folgas remuneradas. O movimento promete aliviar a sobrecarga de trabalho, sobretudo das mulheres, mas acende alerta sobre custos empresariais e pressão inflacionária.
- Em resumo: duas folgas fixas, nenhum corte salarial e impacto estimado de até R$ 76 bi no PIB, segundo a indústria.
Indústria e comércio calculam contas mais salgadas
Estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a redução pode subtrair R$ 76 bilhões do Produto Interno Bruto e elevar preços em 6,2%. Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta aumento de 21% na folha e repasse ao consumidor de até 13%, números que, se confirmados, superam a média histórica de reajustes do salário mínimo, segundo análise do noticiário econômico da Reuters.
“É uma exigência do nosso tempo”, defendeu a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ao destacar que a mudança amplia a empregabilidade feminina e reduz absenteísmo.
Por que o tema virou prioridade política agora?
Desde 1943 a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite até 44 horas semanais distribuídas em 6 dias – modelo que se consolidou no chamado 6×1. Com a retomada do debate sobre produtividade e qualidade de vida, o governo acionou a Câmara para votar o texto ainda neste semestre; duas PECs sobre o mesmo assunto também tramitam na Casa.
No front macroeconômico, países da OCDE que testaram semanas mais curtas observaram ganhos de bem-estar, mas os efeitos fiscais dependem de compensação em tecnologia e produtividade. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sustenta que o mercado brasileiro consegue absorver o ajuste, efeito similar ao de reajustes salariais recentes.
Como isso afeta o seu bolso? Se os custos realmente migrarem para preços, o consumidor pode sentir a diferença na gôndola e no serviço, enquanto trabalhadores ganham mais tempo livre e potencial para qualificação. Para acompanhar cada etapa da votação e seus reflexos, acesse nossa editoria de Economia & Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil