Prazo curto pressiona instituições e pode liberar crédito mais barato
Ministério da Fazenda – A Portaria Normativa nº 1.243/2026 determinou que, até terça-feira (12), todos os bancos e demais instituições financeiras transfiram ao Fundo Garantidor de Operações (FGO) os “valores a devolver” esquecidos por correntistas. O montante soma R$ 10,57 bilhões e parte dele financiará o Novo Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas de pessoas com renda de até cinco salários mínimos.
- Em resumo: R$ 5 bilhões do dinheiro parado bancarão o risco de calote no Desenrola 2.0.
Por que a corrida dos bancos interessa ao seu bolso
Os recursos esquecidos que estavam à deriva em contas correntes, poupanças ou consórcios agora ganham destino certo. Segundo dados do Banco Central, R$ 8,13 bilhões pertencem a 45,33 milhões de pessoas físicas. Uma vez no FGO, esse dinheiro servirá de “colchão” para cobrir eventuais inadimplências, permitindo que as instituições reduzam juros na renegociação de dívidas.
A portaria reserva 10% do saldo para atender possíveis solicitações de devolução dos verdadeiros titulares, garantindo segurança jurídica ao correntista.
Ou seja, mesmo quem não pretende aderir ao Desenrola pode se beneficiar indiretamente, já que a menor percepção de risco tende a baratear linhas de crédito no sistema como um todo.
FGO: garantia pública já destravou crédito em outras crises
Criado em 2009, o FGO foi peça-chave no Pronampe e no Programa Emergencial de Acesso a Crédito durante a pandemia. Na prática, a União assume parte do risco das operações, fazendo com que bancos ofertem dinheiro a juros mais baixos. Agora, o mesmo mecanismo será aplicado a dívidas de consumo, segmento que responde por quase 30% do endividamento das famílias, de acordo com levantamento da Reuters.
Historicamente, cada R$ 1 destinado ao fundo permite multiplicar em até R$ 5 o volume de financiamentos. Se a proporção se repetir, os R$ 5 bilhões recém-carimbados podem destravar cerca de R$ 25 bilhões em renegociações, aliviando a pressão sobre o orçamento de milhões de brasileiros.
Como isso afeta o seu bolso? Pense na possibilidade de reduzir a parcela mensal sem trocar dívidas caras por outras ainda mais onerosas. Para acompanhar as próximas etapas do Desenrola e outras medidas econômicas, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central