Esquema expõe o risco oculto em aplicações que prometem juros fora da curva
Polícia Federal (PF) – Em nova etapa da Operação Compliance Zero, revelada na quinta-feira (14/05), a corporação detalhou como o Banco Master teria vendido R$ 50 bilhões em CDBs ofertando rentabilidade maior que a de mercado, mas sem comprovar liquidez. A manobra, segundo os investigadores, pode deixar investidores expostos e pressiona o Banco Central a reforçar a fiscalização sobre emissões de renda fixa.
- Em resumo: PF diz que títulos de R$ 850 mil eram registrados como se valessem mais de R$ 10 bilhões para atrair captações.
Renda fixa “turbo”: promessa de ganhos fáceis virou armadilha
Relatórios obtidos pela PF mostram que o banco usou documentos forjados para provar solvência e, assim, captar recursos de clientes pessoa física e fundos. A prática viola normas de gestão prudencial do Banco Central, responsável por liquidar a instituição no fim de 2025.
“O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em CDBs prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que teria condições de honrar os pagamentos”, destaca trecho do inquérito.
Além das emissões irregulares, a PF mapeou circulação de recursos por meio de fundos administrados pela Reag Investimentos para inflar resultados e ocultar perdas, tática conhecida no mercado como “carnê-especular”. Parte desse dinheiro, suspeita-se, chegou a empresas ligadas ao PCC, ampliando o alcance criminal e elevando o risco sistêmico.
Impacto no bolso: o que muda para quem aplica em CDB
Apesar de CDBs contarem com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF e por instituição, especialistas lembram que processos de liquidação podem demorar meses. Nesse intervalo, o investidor perde liquidez e pode ficar sem rendimentos contratados.
Casos como o do Banco Master reforçam três alertas:
- Desconfie de taxas muito acima do CDI; retorno exagerado costuma sinalizar risco elevado.
- Cheque a saúde financeira do emissor em relatórios do BC e balanços auditados.
- Divida aplicações entre diferentes bancos para maximizar a cobertura do FGC.
No exterior, fraudes semelhantes levaram ao colapso de bancos regionais em 2023, pressionando os rendimentos de títulos privados, segundo levantamento da Reuters. A expectativa de analistas é que o BC aperte regras de disclosure e imponha testes de estresse mais rígidos a instituições de médio porte.
Como isso afeta o seu bolso? A oferta de “super CDBs” tende a minguar e a remuneração média pode cair, enquanto a fiscalização sobe. Para acompanhar as próximas medidas regulatórias, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Federal