Oferta brasileira surpreende e põe exportadores em estado de alerta
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) — A revisão para cima da safra de soja, agora estimada em 180 milhões de toneladas, gerou uma onda de liquidação que derrubou as cotações de soja e milho na Bolsa de Chicago, movimento sentido pelos produtores e tradings brasileiros nos contratos futuros mais líquidos.
- Em resumo: aumento de oferta no Brasil e fracas vendas externas dos EUA cortam até 30 centavos de dólar por bushel dos preços.
Chicago reage: liquidação intensa após dados da Conab
Logo após a divulgação dos novos números, a soja devolveu todo o ganho acumulado em quatro pregões e o milho acompanhou a correção, pressionado também pelas exportações semanais dos EUA 50% abaixo da média, segundo dados da Reuters.
“Seja um número ou outro, é muita soja”, avaliou o analista Guto Gioielli, ao comentar a diferença entre as estimativas de Conab (180 mi t) e IBGE (174 mi t).
Concorrência argentina e dólar abaixo de R$ 5 pesam no milho
Além da colheita robusta no Brasil, a Bolsa de Rosário elevou a previsão da safra argentina de milho para 68 milhões de toneladas, recorde histórico. Com o câmbio abaixo de R$ 5, o cereal brasileiro perde competitividade, dificultando o escoamento dos 140,1 milhões de toneladas projetados para esta temporada.
Produtores endividados têm acelerado as vendas físicas para gerar caixa, adicionando pressão no mercado interno. Historicamente, excedentes desse porte só foram equalizados quando o dólar operava acima de R$ 5,50 ou quando cotas de importação norte-americanas estavam preenchidas — cenário ainda distante.
Como isso afeta o seu bolso? Queda de preços pode aliviar custos da cadeia de proteína animal, mas reduz a renda do agricultor que não travou cotações. Para entender outros reflexos da supersafra na economia, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Monitor do Mercado