Salto nos combustíveis ameaça reacender a pressão sobre o Fed
Bureau of Labor Statistics – O órgão divulga na próxima terça-feira o índice de preços ao consumidor (CPI) de abril, e a projeção aponta avanço de 0,6%, repetindo a maior alta mensal desde 2022 e reforçando o aperto no bolso do consumidor americano.
- Em resumo: gasolina mais cara – já 50% acima de fevereiro – responde por boa parte da nova rodada inflacionária.
Gasolina a US$ 4,50 pressiona toda a cadeia de consumo
Do transporte aéreo aos alimentos industrializados, empresas começam a repassar o encarecimento dos combustíveis, que já superam US$ 4,50 por galão em média. De acordo com dados compilados pela Reuters, o salto nos postos tende a contaminar serviços e bens duráveis, mantendo o núcleo do CPI em elevação moderada.
“Essa combinação não cria urgência para que o Fed corte juros tão cedo; outra leitura forte do núcleo do CPI pode manter a autoridade monetária com postura hawkish por mais tempo”, destaca a equipe da Bloomberg Economics no relatório da semana.
Fed pode manter juros altos por mais tempo
O Federal Reserve persegue uma meta de inflação anual de 2% e, após o pico de 9,1% em junho de 2022, vinha comemorando a desaceleração dos preços. No entanto, a sequência de altas – 0,4% em março e, agora, projeção de 0,6% em abril – ameaça prolongar a taxa de juros básica no intervalo de 5,25% a 5,50% pelo resto do ano.
Além do CPI, o mercado acompanhará nesta semana o índice de preços ao produtor (PPI), estimado em +0,5%, e as vendas no varejo. Excluídos postos de gasolina e concessionárias, as vendas devem crescer 0,4%, mas o dado não ajusta a inflação, o que pode mascarar perda real de poder de compra.
Como isso afeta o seu bolso? Uma inflação resiliente nos EUA costuma fortalecer o dólar e provocar fuga de capitais de mercados emergentes, o que pode mexer no câmbio e nos rendimentos de quem investe em BDRs ou fundos internacionais. Para mais detalhes sobre este tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS