Empresas calculam impacto bilionário, mas governo indica que não pagará a conta
Ministério das Cidades — Em audiência recente no Congresso, o ministro Guilherme Boulos rechaçou a proposta de oferecer incentivos fiscais às companhias que perderiam a jornada 6×1, prática que permite seis dias de trabalho para um de descanso e reduz horas extras.
- Em resumo: Fim da escala eleva custo de folha e Boulos diz que qualquer ressarcimento “não é razoável”.
Custo trabalhista pode subir sem compensação oficial
Segundo cálculos informais de consultorias de recursos humanos, a extinção do 6×1 adiciona, em média, 3% ao gasto mensal com pessoal, ao exigir folgas adicionais ou pagamento de horas extras. Dados do agência Reuters mostram que a massa salarial já avançou 7,4 % em 12 meses, pressionando as margens do varejo e da indústria.
“Compensar empresas por adequar-se a uma regra que melhora a vida do trabalhador não é razoável”, afirmou Boulos aos parlamentares.
O que muda para empresas e trabalhadores
O regime 6×1, previsto no artigo 67 da CLT, autoriza apenas um repouso semanal remunerado. Caso seja revogado, companhias de call center, logística e alimentação — setores que mais utilizam a escala — precisarão conceder dois dias de descanso ou reorganizar turnos, elevando encargos.
Historicamente, alterações na jornada repercutem nos índices de produtividade. Em 2017, por exemplo, a mini-reforma trabalhista reduziu custos e ampliou contratações, segundo o Ministério da Fazenda. Agora, porém, o cenário é inverso: mais despesa em meio a juros de 13,75 % ao ano e crédito escasso.
Como isso afeta o seu bolso? Ajustes de jornada podem ser repassados a preços ou reduzir lucros distribuídos, impactando consumo e dividendos. Para acompanhar outras mudanças regulatórias, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Ministério das Cidades