Escassez repentina de gás liquefeito reacende temor de nova crise energética
QatarEnergy – A estatal declarou força maior após mísseis destruírem parte do complexo de Ras Laffan, reduzindo de imediato 17% da capacidade da maior usina de GNL do planeta e retirando 3% da produção global do mercado.
- Em resumo: Oferta mundial de GNL está 20% menor que há um ano, elevando o preço spot ao nível mais alto desde 2022.
Oferta global encolhe 20% e Europa paga a conta
Com dois dos 14 trens de liquefação fora de operação, o Catar deixou um vazio que nem Noruega nem África podem preencher com rapidez. Segundo dados compilados pela Reuters, o contrato TTF para o próximo mês já acumula alta superior a 30% desde março.
A Agência Internacional de Energia projeta que o fornecimento global de GNL entre 2026 e 2030 ficará 15% abaixo das estimativas pré-guerra, concentrando o déficit em 2026-2027.
Dependência dos EUA cresce e sanções ao gás russo entram em xeque
Hoje, embarques norte-americanos respondem por quase 60% das importações de GNL da União Europeia, proporção que tende a aumentar à medida que a reconstrução de Ras Laffan — estimada em três a cinco anos — consome mão de obra e equipamentos criogênicos. No curto prazo, Itália e Alemanha, onde o gás responde por cerca de 30% da matriz energética, sofrem mais com a escalada dos preços. Já França e Espanha, amparadas por nuclear e renováveis, têm amortecedor maior.
Historicamente, choques parecidos levaram o megawatt-hora na Europa acima de €300 em 2021. Embora o patamar atual seja inferior, analistas alertam que um inverno rigoroso pode repetir aquela marca, encarecendo fertilizantes, aço e produtos químicos fabricados no bloco.
Como isso afeta o seu bolso? Se os custos de produção subirem outra vez, a conta de luz e o preço de itens básicos podem seguir o mesmo caminho. Para mais detalhes sobre este tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters