Tributos altos e dólar valorizado empurram argentinos às compras no exterior
Secretaria de Comércio da Argentina — Relatório divulgado recentemente confirma que uma camiseta internacional pode custar até 95% mais no país do que no Brasil, cenário que o governo Javier Milei tenta reverter abrindo o mercado e reduzindo tarifas.
- Em resumo: tarifa de importação caiu de 35% para 20%, mas impostos internos somam mais de 50% do preço final.
Tributação pesada drena competitividade
Entre IVA de 21%, Imposto do Cheque de 1,2% e encargos sobre pagamentos parcelados, a carga tributária explica boa parte da escalada de preços. Segundo dados monitorados pela Reuters, o setor já perdeu mais de 1.600 lojas e 10 mil empregos formais nos últimos 18 meses, número contestado pelo governo.
“Mais da metade do valor pago pelo consumidor por uma peça produzida no país corresponde a impostos”, afirma Claudio Drescher, da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina.
A esses tributos somam-se 1,8% de taxa nas compras com cartão e quase 15% de custo financeiro no parcelamento — prática usada em 90% das vendas de roupas.
Abertura às importações mexe no bolso e na produção
Para estimular a concorrência, Milei derrubou as chamadas licenças não automáticas e autorizou remessas internacionais via courier. O corte da tarifa para 20% levou parte dos consumidores a plataformas estrangeiras como Shein, repetindo movimento que o Brasil tentou conter em 2024 com a “taxa das blusinhas” de 20% para compras de até US$ 50.
O resultado imediato foi uma alta acumulada de 15% nos preços das roupas em 12 meses — avanço inferior à inflação geral de 33% —, mas a produção local recuou 15% no mesmo período. Empresários alegam “competição com o campo inclinado” frente ao câmbio valorizado e ao custo menor das peças chinesas, enquanto Milei defende que a economia “se realoque” em setores mais eficientes.
Como isso afeta o seu bolso? Se você mora ou investe na Argentina, o alívio pode surgir nas vitrines, mas a pressão sobre empregos e renda do setor têxtil segue no radar. Para mais análises sobre política econômica e consumo, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC