Prêmio chinês promete mudar o jogo da pecuária brasileira — e o fluxo de dólares
Associação da Indústria de Carnes de Tianjin — Importadores que respondem por 40% da carne bovina brasileira vendida à China assumiram, recentemente, o compromisso de comprar 50 mil toneladas do produto com certificação livre de desmatamento até o fim do ano, pagando até 10% acima do preço de mercado.
- Em resumo: Prêmio de 10% pode elevar margens, mas só para quem provar origem sem desmate.
Cota de 1,1 mi t e prêmio de 10% criam efeito tesoura
O movimento ocorre quando Pequim limita as importações de carne bovina a 1,1 milhão de toneladas para proteger a indústria local. Caso o teto seja alcançado antes do desembarque da carga sustentável, a tarifa salta para 55%, corroendo o ganho extra prometido. Analistas ouvidos pela Reuters veem na iniciativa um balão de ensaio: se der certo, outros portos chineses podem replicar o modelo.
“Há consciência de que a bovinocultura brasileira é a commodity mais associada ao desmatamento entre as compras da China”, diz Andre Vasconcelos, da plataforma Trase.
Rastreabilidade vira moeda forte na mesa de negociação
A certificação “Beef on Track”, criada pela ONG Imaflora, exige quatro níveis de comprovação, desde documentos de transporte até a checagem de trabalho escravo. A ausência de um sistema nacional robusto amplia o risco de “lavagem de gado”, prática que pode travar a liberação do lote e, portanto, do ágio prometido. Por outro lado, elevar transparência agora pode abrir portas no maior mercado global no médio prazo — sobretudo após 2023, quando a estatal chinesa COFCO assumiu meta pública de zerar desmatamento na cadeia.
Como isso afeta o seu bolso? Caso o prêmio se consolide, frigoríficos alinhados às novas regras devem repassar parte do ganho ao pecuarista, pressionando quem ainda não investiu em rastreabilidade. Para mais detalhes sobre sustentabilidade e comércio exterior, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / IRD