Déficit de 7,9% do PIB acende sinal vermelho em Wall Street
Fitch Ratings – A agência de classificação de risco advertiu nesta quinta-feira (30) que o passivo público dos Estados Unidos já oscila “muito acima” do observado em outras economias com nota AA, colocando a qualidade de crédito norte-americana sob pressão e ampliando a volatilidade nos mercados de Treasuries.
- Em resumo: peso da dívida dos EUA bate recorde e eleva risco de novos impasses sobre o teto de gastos.
Risco fiscal cresce às vésperas das eleições de meio de mandato
O relatório aponta que a expansão do déficit deve continuar em 2024 e 2025, sustentada por corte de impostos proposto no One Big Beautiful Bill Act e receitas tarifárias imprevisíveis, segundo dados compilados pela Reuters. A Fitch calcula desequilíbrio de 7,9% do PIB em cada um dos dois anos e alerta que um Congresso dividido pode travar acordos e reavivar a ameaça de shutdown.
“Uma deterioração da posição fiscal dos EUA é provável neste ano devido a cortes de impostos previstos no One Big Beautiful Bill Act, apesar de compensações com receitas de tarifas”, destaca o documento da Fitch.
Por que o alerta importa para o seu bolso?
Quando a dívida de Washington sobe mais rápido que o crescimento da economia, investidores exigem prêmios maiores para carregar títulos do Tesouro. Isso tende a pressionar os rendimentos globais, encarecer captações corporativas e reduzir o apetite por ativos de risco em mercados emergentes, como o Brasil. Vale lembrar que, após o rebaixamento de agosto de 2023 para AA+, os juros de dez anos dos EUA testaram máximas de 16 anos, reafirmando a sensibilidade do mercado a qualquer ruído sobre o teto da dívida.
Históricamente, cada ciclo de impasse fiscal em Washington foi seguido por aumento na volatilidade cambial e fuga de capital de países periféricos. Se o cenário voltar a se repetir, o dólar pode ganhar tração contra o real, elevando custos de importação e pressionando a inflação doméstica.
Como isso afeta o seu bolso? Uma rolagem mais cara da dívida americana tende a contaminar taxas no mundo todo e pode encarecer crédito e investimentos aqui. Para acompanhar os desdobramentos fiscais nos EUA e seus reflexos no Brasil, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Unsplash