Bloqueio no estreito de Ormuz acende alerta para inflação de alimentos
Yara International — A gigante norueguesa de fertilizantes advertiu recentemente que o conflito no Irã já retirou cerca de meio milhão de toneladas de adubo nitrogenado do mercado mundial, ameaça que pode custar até 10 bilhões de refeições por semana e atingir em cheio os países em desenvolvimento.
- Em resumo: menos fertilizante agora significa colheitas menores e conta de supermercado maior nos próximos meses.
Bloqueio logístico pressiona safra global e preços
Quase um terço dos insumos como ureia, potássio, amônia e fosfatos percorre o estreito de Ormuz, segundo a Reuters. A rota naval encurtada pela guerra elevou o preço médio do fertilizante em 80% desde o início das hostilidades, repasse que tende a aparecer em cereais, óleos vegetais e proteínas.
“Eu estimaria até 10 bilhões de refeições que deixarão de ser produzidas a cada semana como resultado da falta de fertilizantes”, alertou Svein Tore Holsether, CEO da Yara.
Impacto direto no Brasil e no poder de compra
O agronegócio brasileiro depende de importações para cerca de 85% do adubo usado nas lavouras. Com a entressafra se aproximando, consultorias de mercado calculam que cada 10% de alta no preço do fertilizante pode adicionar até 0,4 ponto percentual à inflação de alimentos no IPCA, pressionando ainda mais o orçamento das famílias.
Pelos dados do Banco Central, alimentos in natura já puxaram 0,35 p.p. da inflação em 2026. Caso o bloqueio persista, analistas projetam novos reajustes justamente quando produtos como arroz e soja — básicos na cesta brasileira — entrarem em fase de plantio na Ásia e na América Latina.
Como isso afeta o seu bolso? Se o adubo continuar caro ou escasso, o custo de produção sobe, a oferta cai e o preço final na gôndola dispara. Para acompanhar os próximos movimentos do mercado, acesse nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Yara International