Capacidade extra dos EAU pressiona cartel e balança projeções de inflação
Opep – A decisão dos Emirados Árabes Unidos (EAU) de abandonar o grupo produtor, anunciada recentemente, muda o jogo ao liberar até 5 milhões de barris diários no mercado, ameaçando reprecificar combustíveis, fretes e até alimentos em escala global.
- Em resumo: saída dos EAU abre espaço para o barril recuar do patamar de US$110 para até US$50 caso tensões no Golfo diminuam.
Mais oferta, menos poder: o que acontece com o preço do petróleo
Os EAU são o segundo maior “produtor de ajuste” da Opep, ficando atrás apenas da Arábia Saudita. Ao romper o acordo de cotas que limitava sua produção a 3,5 milhões de barris por dia, Abu Dhabi sinaliza que pretende usar toda a capacidade ociosa de seus campos – movimento que, segundo especialistas citados pela Reuters, pode desencadear uma guerra de preços semelhante à de 2014.
“Se a Arábia Saudita reagir ampliando a oferta, veremos níveis de preço que muitos produtores não conseguirão sustentar”, alertou um ex-negociador do cartel ouvido pelo texto original.
Infraestrutura fora do Estreito de Ormuz e impacto no seu bolso
Para escoar volumes maiores sem depender do estreito de Ormuz – atualmente sob bloqueios –, os Emirados aceleram projetos de oleodutos até o porto de Fujairah. Quando concluídos, esses corredores podem reduzir o custo de transporte e derrubar prêmios de risco embutidos no barril.
Historicamente, cada recuo de US$10 no petróleo retira cerca de 0,2 ponto percentual da inflação global, segundo cálculos do Banco Central Europeu. No Brasil, isso tende a aliviar não só a gasolina, mas também itens encarecidos pelo frete, como alimentos embalados.
Como isso afeta o seu bolso? Se o barril rumar a US$50, gasolina e diesel podem ficar mais baratos já no próximo semestre, baixando pressões inflacionárias e abrindo espaço para cortes nos juros. Para entender outros movimentos que mexem com seu poder de compra, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Getty Images via BBC