Mercado já calcula efeito imediato nos custos de crédito e renda fixa
Banco Central – Em meio à escalada dos preços do petróleo causada pelo conflito no Oriente Médio, o Comitê de Política Monetária (Copom) decide nesta quarta-feira (29) se reduz a Selic de 14,75% para 14,5% ao ano, movimento que, se confirmado, marca o segundo corte consecutivo após quase dois anos de aperto monetário.
- Em resumo: Analistas projetam recuo de 0,25 p.p., mas alertam que a inflação acima do teto pode limitar novos cortes.
Inflação pressiona, mas Focus ainda vê espaço para aliviar juros
Mesmo com o IPCA-15 de abril acelerando a 0,89% – o maior avanço desde 2023 –, o último Boletim Focus manteve a projeção de Selic em 14,5% para esta semana, sinalizando confiança de que o BC seguirá o plano de “calibração gradual”. Segundo dados da Reuters, o mercado avalia que cada 1% de alta no barril do Brent adiciona até 0,05 p.p. à inflação brasileira.
“O ciclo de cortes dependerá do balanço entre a resiliência do núcleo de serviços e os choques externos de energia”, destacou a ata de março do Copom.
Por que 14,5% ainda é um patamar historicamente elevado
Para efeito de comparação, a Selic chegou a 2% em 2020 durante a pandemia, saltou para 13,75% em 2023 e atingiu 15% entre junho de 2025 e março de 2026 – o nível mais alto em quase duas décadas. Esse aperto gerou um custo extra de aproximadamente R$ 410 bilhões em juros da dívida pública, segundo cálculos do Tesouro Nacional.
Com a meta contínua de 3% (tolerância de 1,5 p.p.) em vigor desde 2025, qualquer inflação acima de 4,5% exige resposta rápida. O Focus já projeta IPCA de 4,86% para 2026, acima do teto, reforçando a necessidade de cautela do Copom.
Como isso afeta o seu bolso? Um corte modesto reduz o custo do rotativo do cartão e melhora o retorno real da renda fixa pós-fixada. Você pretende rever sua estratégia de dívidas ou investimentos? Para mais análises, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central