Europa impõe barreira sanitária e pressiona exportadores nacionais
União Europeia – A retirada do Brasil da lista de países aptos a vender carnes e produtos de origem animal ao bloco, publicada nesta terça-feira (12), acendeu alerta imediato nos frigoríficos e no governo, que já articulam uma ofensiva diplomática para proteger quase US$ 2 bilhões em embarques anuais.
- Em resumo: veto começa a valer em 3 de setembro e trava bovinos, aves, pescado, mel e mais.
A falha no uso de antimicrobianos virou linha vermelha
Segundo nota oficial, Bruxelas alega que o Brasil não apresentou “garantias satisfatórias” sobre a proibição de antimicrobianos como promotores de crescimento, regra já sinalizada desde 2019.
“Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações”, explicou Eva Hrncirova, porta-voz para Saúde da Comissão Europeia.
O Ministério da Agricultura publicou em abril portaria banindo avoparcina e virginiamicina, mas substâncias como tilosina e avilamicina continuam permitidas no mercado interno. Ajustar a legislação ou comprovar rastreabilidade lote a lote são os únicos caminhos para reabilitação.
Impacto cambial e precedentes para outros mercados
A UE responde hoje pelo terceiro maior destino da carne bovina brasileira e pelo segundo para proteínas animais no geral, atrás apenas da China. Uma interrupção prolongada esvazia margens de exportadores listados na B3 e pode pressionar o câmbio via menor entrada de dólares.
Histórico recente mostra que, em 2017, quando Hong Kong suspendeu compras por questões sanitárias, o preço futuro do boi gordo recuou 6 % em dois pregões. Analistas não descartam reação semelhante caso o impasse europeu se estenda.
Como isso afeta o seu bolso? Preço interno de carnes pode subir pela realocação de oferta no mercado doméstico. Para acompanhar cada etapa das negociações e seus reflexos, acesse nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / União Europeia