Parcelamentos no dia a dia viram bola de neve e ameaçam o poder de compra
Banco Central do Brasil — O volume de dívidas em atraso das famílias chegou a R$ 238,5 bilhões em março, enquanto a Serasa Experian aponta 81,7 milhões de consumidores negativados, panorama que pressiona juros, renda disponível e confiança de consumo.
- Em resumo: crédito sem planejamento transformou despesas básicas em passivo de longo prazo, elevando o risco de cair no rotativo do cartão.
Limite do cartão não é salário: entenda o perigo
Especialistas alertam que muitos brasileiros tratam o limite do cheque especial ou do cartão como extensão da renda. Segundo levantamento da Bloomberg Línea, o juro do rotativo supera 400% ao ano, o mais alto do mercado.
“O limite do cartão de crédito não é uma renda extra. Quem ganha R$ 5 mil e tem limite de R$ 5 mil não possui renda de R$ 10 mil”, destaca Isabela Tavares, da Consultoria Tendências.
Ansiedade de consumo e propaganda turbinam endividamento
Para a pesquisadora Katherine Hennings, da FGV, a facilidade de parcelar em “três vezes sem juros” no supermercado ou na farmácia aprofunda a chamada “ansiedade de consumo”. O fenômeno não poupa faixas de renda e ganha força com recomendações de influencers.
No curtíssimo prazo, esses pequenos parcelamentos cabem no orçamento, mas, somados, lotam o limite do cartão. Quando chega a fatura, o consumidor recorre ao rotativo ou ao cheque especial — ambos acima de 130% ao ano, de acordo com séries históricas do BCB.
Educação financeira e renegociação como saída
Programas como o Desenrola 2.0 tentam aliviar a inadimplência renegociando débitos já existentes. No entanto, especialistas reforçam que a solução estrutural passa por educação financeira contínua e pelo uso responsável de crédito, reservando-o para bens duráveis e não para despesas rotineiras.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil