Falta de sintonia entre fiscal e monetária pressiona Selic real
Bradesco – Em apresentação na conferência “Brasil em Pauta Nova York”, realizada recentemente, Luiz Carlos Trabuco Cappi avisou que, sem um ajuste simultâneo das contas públicas e da taxa básica, o país continuará operando com juros reais de 10%, nível que encarece crédito e retira fôlego do consumo.
- Em resumo: taxa real de 10% é “proibitiva” para empresas, famílias e o próprio Tesouro, segundo Trabuco.
Empresas sentem o peso do custo de capital
Com o juro real girando em dois dígitos, o custo médio das captações corporativas se distancia do retorno esperado de projetos. De acordo com dados compilados pela Reuters, o volume de emissões de debêntures caiu nas últimas janelas, justamente quando a atividade econômica dá sinais de perda de ritmo.
“É proibitiva para as empresas, para as pessoas, para o Tesouro Nacional”, disse o executivo.
Por que o alinhamento fiscal é crucial
Mesmo com a Selic em 12,25% ao ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado para 2024 permanece abaixo de 5%. O hiato explica o diferencial real de 10% citado pelo banqueiro, um dos mais altos entre mercados emergentes desde 2016, segundo séries históricas do Banco Central.
Se as metas de resultado primário forem frustradas, investidores exigirão prêmios ainda maiores para financiar o déficit – acelerando o efeito bola de neve na dívida pública e encarecendo linhas como cheque especial e capital de giro.
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Crédito da imagem: Divulgação / Estadão Conteúdo