Desigualdade resiste mesmo com crescimento econômico recente
Fundação Grupo Volkswagen – O Índice de Justiça Econômica Racial (IJER), divulgado em 14/05, mostra que mulheres negras continuam recebendo apenas cerca de 50% da renda dos homens brancos, evidenciando um fosso que limita consumo, crédito e mobilidade social no país.
- Em resumo: em 2023, a renda domiciliar per capita delas foi de R$ 1.191,66, contra R$ 2.381,43 dos homens brancos.
Pirâmide de renda segue rígida e freia mobilidade social
Entre 2016 e 2023, a desigualdade pouco cedeu. Segundo dados da PNAD Contínua, em 2016 a diferença já era acentuada: R$ 862,98 para mulheres negras versus R$ 1.821,55 para homens brancos.
“O elevador social do Brasil está quebrado”, resume Marcos Maestri, supervisor de Advocacy da Fundação Grupo Volkswagen.
O IJER avançou de 0,53 para 0,59 no período, mas o progresso foi paralelo entre os grupos, sem redução efetiva do hiato racial e de gênero. Homens brancos permaneceram no topo do índice, enquanto mulheres negras ficaram 11% abaixo da média nacional em todos os anos analisados.
Impacto direto nos salários, consumo e acesso a crédito
A pesquisa também evidencia que apenas 33,3% das mulheres negras possuíam carteira assinada em 2023, o menor percentual entre os grupos. A alta informalidade pressiona a renda, dificulta aprovação de financiamentos e reduz a contribuição previdenciária, gerando reflexos de longo prazo nos benefícios futuros.
Para especialistas, o quadro decorre de barreiras estruturais: maior concentração em serviços de cuidado, necessidade de ingressar cedo no mercado e menor acesso ao ensino superior. Mesmo políticas universais de renda não conseguem romper esse ciclo sem ações direcionadas, como programas de permanência estudantil e incentivos à formalização.
Como isso afeta o seu bolso? Quanto maior a disparidade salarial, menor o poder de compra agregado e maior o risco de endividamento para quem já ganha menos. Para mais detalhes sobre o tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Fundação Grupo Volkswagen