Recuo duplo sinaliza freio no ritmo de viagens e fretes, dizem analistas
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – O órgão informou que, em março de 2026, o volume de transporte de passageiros cedeu 3,4% e o de cargas encolheu 1,0% ante fevereiro, interrompendo a sequência de alta vista no início do ano e reacendendo dúvidas sobre a força da recuperação do setor.
- Em resumo: dois recuos seguidos já subtraem 4,3% da movimentação de passageiros e distanciam o segmento 22,1% do pico histórico.
Demanda enfraquece após pico pós-pandemia
A redução nas viagens domésticas ocorre justamente quando a inflação de serviços voltou a ganhar tração. Segundo levantamento da Reuters, a alta de preços no setor foi uma das principais pressões no último IPCA.
“Passageiros estão 1,7% acima do nível pré-Covid, mas ainda 22,1% abaixo de fevereiro de 2014; já as cargas seguem 37,1% acima de 2020, porém 5,1% abaixo do recorde de julho de 2023”, detalha a nota técnica do IBGE.
Indicadores ainda superam pré-crise, mas ritmo perde fôlego
Mesmo com o recuo pontual, o primeiro trimestre encerrou com avanço de 2,3% no transporte de passageiros e de 1,4% nas cargas frente a igual período de 2025. Historicamente, quedas sucessivas nessa virada de trimestre costumam pressionar margens de companhias aéreas, transportadoras rodoviárias e ferroviárias, levando a ajustes em preços de passagens e fretes nas semanas seguintes.
A desaceleração também coincide com a sinalização de que a taxa Selic pode permanecer elevada por mais tempo, encarecendo o capital de giro das empresas de logística e, potencialmente, repassando custos extras ao consumidor final.
Como isso afeta o seu bolso? Menos demanda tende a conter reajustes agora, mas, se o recuo se prolongar, empresas podem rever malhas e repassar custos fixos. Para acompanhar a evolução desses indicadores e outros dados macroeconômicos, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / ANTT