Redução pode destravar compras de soja e redesenhar o fluxo global de grãos
Ministério do Comércio da China – após a recente cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump em Pequim, o órgão revelou que Pequim estuda cortar tarifas sobre produtos agrícolas norte-americanos, movimento que tem potencial para mexer com cotações internacionais e pressionar concorrentes.
- Em resumo: Pequim discute retirar a sobretaxa de 10% e destravar um comércio que despencou 65,7%, para US$ 8,4 bi em 2025.
Soja no radar: alívio tarifário pode mudar preços já nesta safra
Analistas de mercado projetam que a isenção de até 10% sobre a soja abriria espaço para que esmagadoras privadas voltem às compras, hoje concentradas em estatais. A projeção ecoa dados da Reuters, que apontam a China como destino de quase 60% da soja comercializada no mundo.
“Reduções de tarifas marcariam a normalização do comércio agrícola entre China e EUA, permitindo que compradores comerciais retornem ao mercado”, afirma Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting, em Pequim.
Impacto no Brasil e na inflação global
O Brasil, atual líder nas vendas de soja à China desde a escalada tarifária de 2018, pode ver parte da sua fatia ameaçada. Historicamente, cada recuo de 1 ponto percentual nas tarifas chinesas sobre grãos americanos reduz em até 0,2 p.p. o prêmio pago pela commodity brasileira nos portos, segundo séries compiladas pela B3.
Como isso afeta o seu bolso? Um recuo nos prêmios pode baratear rações, influenciar o preço da carne e, em última instância, aliviar parte da pressão sobre o IPCA. Para acompanhar desdobramentos e novas medidas comerciais, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS