Pressão cresce por um corte mais agressivo para destravar o crédito
Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) – A decisão de reduzir a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, divulgada na última reunião, foi recebida com forte crítica por representantes da indústria, do varejo e de centrais sindicais, que veem o ritmo lento de afrouxamento monetário como ameaça direta à recuperação econômica.
- Em resumo: Selic ainda alta encarece financiamentos e trava novos investimentos.
Indústria aponta “crédito proibitivo” e risco à competitividade
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que o corte foi tímido e mantém o custo do capital em patamar que inviabiliza projetos de modernização.
“O custo do capital continuará em nível proibitivo, inviabilizando projetos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, reforçou Ricardo Alban, presidente da CNI.
Comércio e trabalhadores temem avanço do endividamento
No varejo alimentar, a Associação Paulista de Supermercados avalia que a taxa de 14,50% continua a afastar consumidores e eleva pedidos de recuperação judicial. Já a Contraf-CUT critica o “ritmo de formiga” da política monetária, lembrando que cada ponto percentual na Selic impacta diretamente o valor das parcelas do crédito consignado e do rotativo do cartão.
Historicamente, o país conviveu com Selic acima de 14% apenas em momentos de forte aperto fiscal, como em 2016, segundo série do Banco Central. A manutenção do nível atual, portanto, coloca o Brasil novamente entre os maiores pagadores de juros reais do mundo, estimulando entradas de capital especulativo e desestimulando a produção.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central do Brasil