Pressão por justiça tributária mira patrimônios bilionários e faz mercados recalcularem riscos
Ministério da Fazenda – Em agenda preparatória do G7, realizada recentemente em Paris, o ministro Dario Durigan defendeu que o bloco das sete maiores democracias discuta um tributo mínimo global de 2% sobre fortunas acima de US$ 100 milhões, alinhando-se à proposta do economista francês Gabriel Zucman.
- Em resumo: Ideia é criar piso de 2% ao ano para cerca de 142 mil super-ricos, segundo a Fazenda.
Por que o tema ganhou tração agora
Com o avanço da desigualdade de renda pós-pandemia e a busca de governos por novas fontes de receita, a cobrança sobre ultrarricos voltou ao centro do debate. A adesão brasileira, anunciada por Durigan, ecoa análises que apontam potencial de até US$ 250 bilhões por ano em arrecadação global, segundo dados citados em reportagem da Reuters.
“Se houver espaço para falar de justiça tributária, eu sou o primeiro a topar”, disse Durigan durante o evento promovido pela revista Le Grand Continent.
Impacto potencial para o Brasil e investidores
A experiência doméstica pesa: em 2025, a reforma do Imposto de Renda criou alíquotas progressivas para patrimônios elevados, alcançando cerca de 0,07% da população. Caso o G7 avance, países emergentes como o Brasil podem ganhar margem para reforçar acordos de troca de informações e reduzir a evasão fiscal, tema sensível a empresas listadas na B3 que dependem de previsibilidade regulatória.
No curto prazo, gestoras analisam se a medida deslocará capital para ativos reais ou para mercados com carga tributária menor. Historicamente, mudanças tributárias sobre alta renda costumam produzir volatilidade temporária, mas aumentam a base de arrecadação — alívio potencial para contas públicas e, por tabela, para prêmios de risco nos títulos federais.
Como isso afeta o seu bolso? Mesmo sem mexer na sua alíquota, a entrada de recursos extras no Tesouro pode reduzir pressão sobre juros e inflação. Para acompanhar desdobramentos da proposta e seus reflexos no mercado, acesse nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil