Escalada do Brent e impasse no Estreito de Ormuz turvam cenários de câmbio
Banco Central do Brasil – Após o corte de 25 pontos-base que levou a Selic para 14,50% ao ano, a autarquia monitora um câmbio sem direção clara nesta segunda-feira (4), enquanto o barril do Brent supera US$ 110 e adiciona pressão inflacionária ao radar.
- Em resumo: dólar oscila entre leves baixas e altas em reação ao petróleo caro e às tensões geopolíticas.
Dólar sem bússola em meio ao petróleo caro e Treasuries firmes
A moeda norte-americana chegou a recuar na abertura, mas logo buscou equilíbrio diante do avanço dos rendimentos dos Treasuries e do fluxo ainda restrito de navios no Estreito de Ormuz. Segundo dados compilados pela Reuters, o Brent não ficava acima de US$ 110 desde o pico de volatilidade registrado no ano passado.
“No Focus, a mediana do IPCA 2026 subiu pela 8ª semana seguida, de 4,86% para 4,89%, ampliando o desvio em relação ao teto da meta”, mostra o boletim que também manteve 4% para 2027.
Esse movimento deixa a curva de juros mais sensível: os contratos futuros chegaram a exibir alívio, mas qualquer repique no petróleo ou no dólar pode reativar apostas de aperto monetário adiante, mesmo após o corte de Selic recém-anunciado.
Inflação no foco e o que observar nos próximos pregões
Historicamente, cada alta de US$ 10 no Brent impacta em cerca de 0,4 ponto percentual o IPCA acumulado em 12 meses, conforme estimativas de consultorias econômicas. Se o barril permanecer na casa de US$ 110, o espaço para taxas de juros mais baixas em 2024 fica mais estreito, sobretudo porque o desvio em relação ao centro da meta (3%) já se aproxima do limite de tolerância (4,50%).
Além disso, o protocolo em negociação entre Irã e Omã para garantir o tráfego no Estreito de Ormuz ainda carece de detalhamento. Qualquer revés pode reacender temores de oferta e impulsionar commodities energéticas, pressionando ainda mais a balança comercial brasileira e o custo dos fretes.
Como isso afeta o seu bolso? Combustíveis mais caros contaminam preços de alimentos, transporte e energia, corroendo poder de compra. Para acompanhar as próximas movimentações da Selic e do câmbio, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Suno