Escalada dos combustíveis abre nova frente de pressão inflacionária
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – O órgão divulgou que, em abril, a inflação oficial voltou a sentir o reflexo do conflito no Oriente Médio: a gasolina avançou 1,86% e sozinha acrescentou 0,10 ponto percentual ao IPCA, enquanto o diesel se valorizou 4,46%, encarecendo o frete e, por tabela, a comida que chega às gôndolas.
- Em resumo: Combustíveis subiram 1,80% no mês e puxaram a alimentação em domicílio para alta de 1,64%.
Frete mais caro contamina preços da feira
A alta do diesel impacta diretamente o transporte de cargas. Segundo dados compilados pela Reuters, cada 1% de variação no combustível do caminhão pode adicionar até 0,03 p.p. à inflação de alimentos ao consumidor no trimestre seguinte.
“Os combustíveis ficando mais caros acabam influenciando o preço do frete”, explicou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE.
No carrinho, os maiores choques vieram da cenoura (26,63%), leite longa vida (13,66%) e cebola (11,76%). Carnes também avançaram 1,59%, após meses de alívio.
Série histórica aponta cinco meses seguidos de alta
Com abril, a alimentação em domicílio acumula a quinta elevação mensal consecutiva. Desde dezembro, o grupo já subiu 5,4%, acima dos 3,8% do IPCA geral no mesmo período. O movimento ocorre em meio a estoques menores de hortifrútis e à recente escalada do barril de petróleo, que permanece próximo de US$ 90, o maior patamar desde outubro passado.
Como isso afeta o seu bolso? Se o ritmo persistir, a proporção do salário mínima destinada à cesta básica pode crescer já no próximo reajuste de preços de varejo. Para acompanhar outras análises sobre inflação e poder de compra, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil