Safra sustentável promete sacudir custos e margens do agronegócio
Produtores de Tomé-Açu (PA) deram um passo além do monocultivo tradicional ao adotar o Sistema Agroflorestal de Dendê (SAF Dendê), prática que já elevou em até 38% a produtividade por palmeira e abriu espaço para um ágio de 15% a 20% no valor de mercado, de acordo com dados colhidos recentemente.
- Em resumo: mesma área de cultivo agora rende 50 kg extras por planta e gera prêmio de preço para quem entrega óleo com selo socioambiental.
Mais rendimento, menos insumo: a matemática que atrai capital
Ao reproduzir a dinâmica da floresta amazônica e integrar açaí, cacau e andiroba ao dendê, o SAF reduz a necessidade de fertilizantes químicos, item que representa até 30% do custo operacional no modelo convencional. Segundo dados compilados pela Reuters, o preço do óleo de palma no mercado internacional subiu perto de 12% no primeiro trimestre, o que amplia ainda mais a margem dos produtores paraenses que recebem prêmio ESG.
No monocultivo, cada planta gerava 130 kg de cachos ao ano; no SAF, a média alcança 180 kg e a camada de matéria orgânica do solo saltou de 5 cm para 30 cm em 17 anos.
Por que o investidor deve monitorar o “novo dendê” amazônico
O óleo de palma é hoje o vegetal mais consumido do planeta, usado de biscoitos a cosméticos e biodiesel. A Indonésia e a Malásia ainda dominam 85% da oferta global, mas vêm sofrendo barreiras comerciais devido a denúncias de desmatamento. Ao adotar o SAF, o Pará se posiciona para capturar fatia crescente desse mercado, justamente quando a União Europeia endurece regras de rastreabilidade de origem. Para o Brasil, cada tonelada premium exportada significa ingresso extra de divisas e fortalecimento da balança agrícola.
Como isso afeta o seu bolso? Custos menores e prêmio ESG podem reduzir o spread de crédito rural para produtores alinhados a boas práticas. Para acompanhar outras oportunidades que conciliam rentabilidade e sustentabilidade, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / g1