Brasil corre contra o relógio para não perder mercado bilionário no bloco europeu
União Europeia (UE) — A nova lista de países autorizados a vender carne bovina ao bloco, publicada recentemente, deixou o Brasil de fora e acendeu o sinal de alerta entre frigoríficos e pecuaristas.
- Em resumo: exportadores afirmam que atenderão às exigências sanitárias da UE até setembro para retomar embarques.
Queda súbita no acesso ao 2º maior destino da proteína brasileira
Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que, em 2023, a UE respondeu por quase US$ 1 bilhão em compras de carne bovina brasileira. Com a exclusão temporária, o setor teme um represamento de estoques e pressão de baixa nos preços internos. Segundo estimativas citadas pela Reuters, cada mês fora do mercado europeu pode represar cerca de 20 mil toneladas de proteína.
“O ajuste nos sistemas de rastreabilidade e bem-estar animal estará concluído até o fim do terceiro trimestre”, informou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
O que mudou nas regras e por que o prazo é apertado
As novas normas europeias reforçam a necessidade de certificação individual de fazendas, monitoramento eletrônico do rebanho e auditorias de bem-estar animal. No Brasil, apenas 47% das plantas exportadoras operam com o nível de rastreabilidade exigido, índice que precisa chegar a 100% para o banimento ser revisto.
Historicamente, eventos semelhantes já geraram correções de até 8% nas cotações do boi gordo na B3. Se o prazo de setembro escorregar, analistas projetam impacto direto sobre margens de frigoríficos listados como JBS e Marfrig, além de reflexo na arrecadação de estados exportadores.
Como isso afeta o seu bolso? A manutenção do bloqueio pode baratear a carne no mercado interno no curto prazo, mas pressionar empregos e balança comercial no médio. Para acompanhar outros desdobramentos sobre comércio exterior e agronegócio, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / União Europeia