Spreads disparam após resgates e criam prêmio difícil de ignorar
Anbima – Os índices que monitoram debêntures incentivadas registram, recentemente, a maior diferença para o CDI em quase três anos, reacendendo o apetite de gestoras por papéis isentos de Imposto de Renda.
- Em resumo: rendimento extra chegou a 0,50 ponto percentual acima da inflação para emissores de baixo risco.
Corrida de resgates virou o preço do mercado
Na esteira da Medida Provisória 1303, derrubada em outubro de 2025, investidores compraram debêntures a qualquer custo. Quando pedidos de recuperação judicial de grandes empresas levaram a resgates estimados em R$ 30 bilhões, os spreads “explodiram”. De acordo com relatório da Reuters, o bloqueio em novas ofertas forçou bancos a segurarem emissões inteiras, aumentando a escassez de papéis no mercado secundário.
“A janela atual é das mais atraentes desde a crise de 2023, com prêmios que superam títulos públicos de prazo semelhante”, aponta a Kinea em nota a clientes.
Por que o prêmio pode encolher rápido
Historicamente, episódios de estresse em 2020 e 2023 foram seguidos por forte compressão de spreads em até seis meses, lembra a equipe de análise da Sparta. Com boa parte das empresas de infraestrutura regulada repassando inflação às tarifas, o risco de crédito dessas emissoras tende a permanecer controlado mesmo com Selic em 14,5% — patamar que, aliás, reforça a vantagem líquida da isenção de IR.
Segundo a SulAmérica Investimentos, um retorno real de 0,50 pp livre de imposto equivale a um ganho bruto de 2,25 pp em ativos tributados. O gestor interessado pode optar por levar o título até o vencimento ou, se as taxas de novas emissões cederem, vender com ágio via marcação a mercado.
Como isso afeta o seu bolso? Quanto maior o spread, maior a proteção contra volatilidade de juros; mas esperar demais pode significar perder a fase de bonança. Para mais detalhes sobre diversificação em renda fixa, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil