Juros altos e crédito escasso pressionam múltiplos e levantam alerta aos investidores
BTG Pactual – O banco identificou que as ações de varejo listadas na B3 estão sendo precificadas a apenas 8,7 vezes o lucro projetado, um patamar bem abaixo da média histórica de 14,8 vezes registrada nos últimos 15 anos, reforçando o sinal de estresse no setor.
- Em resumo: varejistas estão 1,3 desvio-padrão abaixo do valuation de longo prazo, segundo o BTG.
Desconto se aprofunda na esteira da Selic elevada
Com a taxa básica ainda em dois dígitos, o custo de capital permanece alto e comprime o valor presente dos lucros futuros. De acordo com dados compilados pela Reuters, a Selic recuou nos últimos meses, mas segue entre as mais altas do G20.
“O reposicionamento dos valuations reflete não apenas expectativas mais fracas para os resultados, mas também uma taxa de desconto estruturalmente mais elevada embutida nos preços das ações”, afirma o analista Luiz Guanais.
Paralelo com a recessão de 2015-16 reacende lembranças amargas
Entre 2015 e 2016, a Selic alcançou 14,25% ao ano enquanto o consumo encolhia, levando a sucessivas revisões de lucro e queda brusca nos papéis de consumo. O BTG enxerga similaridades: múltiplos comprimidos, cautela fiscal e menor oferta de crédito. Historicamente, a recuperação só ganhou tração quando os juros reais recuaram abaixo de 5% e o crédito voltou a crescer, segundo séries do Banco Central do Brasil.
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Crédito da imagem: Divulgação / BTG Pactual