Diretoria financeira reforça alerta sobre caixa e volatilidade
Petrobras – Em videoconferência com investidores nesta terça-feira, a estatal informou que a chance de aprovar dividendos extraordinários em 2026 é “muito baixa”, já que a volatilidade do barril de petróleo compromete a previsibilidade de caixa necessária para esse tipo de distribuição.
- Em resumo: preço instável do Brent limita espaço para pagamentos acima da política regular.
Volatilidade do Brent trava distribuição fora da rotina
A direção financeira lembrou que o petróleo chegou a oscilar mais de 20% nos últimos doze meses, movimento que pressiona tanto receitas quanto capex. Segundo dados compilados pela Reuters, o barril Brent saiu de US$ 82 para abaixo de US$ 70 no primeiro semestre, antes de voltar a subir. Esse zigue-zague, diz a companhia, impede projeções confiáveis para um excedente de caixa.
“Eu não vejo essa possibilidade ou, se existe, ela é muito baixa”, cravou o CFO Fernando Melgarejo, acrescentando que qualquer decisão ficará para o fim do ano fiscal.
Política de dividendos: regras e possíveis gatilhos
Desde 2023, a Petrobras mantém regra que prevê distribuição mínima de 45% do fluxo de caixa livre sempre que o endividamento bruto ficar abaixo de US$ 65 bilhões. Dividendos extraordinários só entram em cena quando há caixa excedente após investimentos e amortizações — cenário que depende de um Brent mais estável e de spreads de refino favoráveis.
Historicamente, os prêmios da estatal dispararam em 2022, quando a empresa devolveu R$ 194 bilhões aos acionistas, mas recuaram em 2024 diante do novo plano de gastos de US$ 102 bilhões. Sem gorduras extras, o investidor deve calibrar expectativas de retorno total – mix de dividendos regulares e valorização de preço – até que o petróleo encontre novo equilíbrio.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS