Alívio pontual no índice geral contrasta com a escalada da cesta básica
IBGE — A leitura mais recente do IPCA mostra avanço de 0,67% em abril, desacelerando ante março (0,88%), mas com alimentos ainda pesando no bolso do consumidor brasileiro.
- Em resumo: Alimentos e bebidas subiram 1,34% e responderam por 43% do IPCA de abril.
Alimentos puxam a conta e desafiam a meta de inflação
Produtos essenciais como leite longa vida (+13,66%) e carnes (+1,59%) lideraram a pressão, enquanto a gasolina avançou 1,86%. Segundo análise do IBGE, a alta ganhou força com a entressafra e custos de frete — agravados pelo diesel, que encareceu 4,46%. Dados do painel de mercado da Reuters indicam que o choque de oferta pode persistir caso o conflito no Oriente Médio mantenha o petróleo valorizado.
“Alimentos responderam por quase metade da inflação de abril”, destaca Fernando Gonçalves, analista responsável pela pesquisa.
O que o IPCA sinaliza para juros, consumo e investimentos
Com a inflação em 4,39% no acumulado de 12 meses — ainda dentro do teto de 4,5% definido pelo Conselho Monetário Nacional — o Banco Central ganha fôlego para manter o ritmo de cortes na Selic, hoje em 9,25% ao ano. Contudo, a difusão de preços segue elevada (65%), e a massa salarial real já sente perda de poder de compra, podendo frear o varejo no segundo semestre.
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Crédito da imagem: Divulgação / IBGE