Entenda por que a crise do varejo de móveis chegou ao limite
Grupo Toky — controlador de Tok&Stok, Mobly e Guldi — entrou recentemente com pedido de recuperação judicial em São Paulo, movimento que envolve uma dívida acumulada de R$ 1,1 bilhão e pode redesenhar a cadeia de fornecimento de móveis no Brasil.
- Em resumo: a empresa quer 180 dias de proteção judicial para evitar bloqueios, liberar R$ 77 milhões retidos em cartões e manter salários de mais de 2 mil funcionários.
Juros altos e crédito escasso apertam o caixa
A escalada da Selic acima de dois dígitos desde 2021 encareceu o crédito ao consumidor e reduziu a demanda por bens duráveis, segundo análise da Reuters. Sem fôlego de vendas, varejistas como Tok&Stok viram as despesas financeiras disparar.
“Apesar dos esforços de renegociação, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”, afirmou a companhia em comunicado à CVM.
Por que o pedido de RJ importa para o seu bolso?
Se aprovado, o “stay period” de 180 dias congela execuções e dá tempo para um plano de pagamento escalonado. Na prática, fornecedores ficam na fila e bancos podem provisionar perdas, o que pressiona taxas e prazos de novos empréstimos para todo o setor.
Historicamente, processos de recuperação judicial de grandes varejistas podem levar até cinco anos para conclusão; a Via Varejo, por exemplo, só saiu do procedimento em 2019 após sucessivas revisões de metas. Esse prazo alongado tende a reduzir concorrência no curto prazo e encarecer móveis e decoração para o consumidor final.
Como isso afeta o seu bolso? Preços podem subir e prazos de entrega alongar, sobretudo se fornecedores optarem por repassar risco. Para acompanhar outras análises sobre economia e política, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Reprodução / Tok&Stok