Portos asiáticos se preparam para desembarques recordes do Brasil e dos EUA
Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) divulgou que, recentemente, o país comprou 8,48 milhões de toneladas de soja em abril, volume 40% maior que um ano antes e mais que o dobro de março, sacudindo o mercado de grãos e exportadoras brasileiras.
- Em resumo: analistas projetam mais de 10 milhões t de soja entrando por mês entre abril e junho.
Safra brasileira domina carregamentos do 2º trimestre
A escalada das importações ocorre no momento em que a safra recorde do Brasil avança pelos terminais de Santos e do Arco Norte. Segundo dados compilados pela Reuters, os embarques brasileiros já representam mais de 60% dos volumes confirmados para o trimestre, enquanto as cargas norte-americanas completam o mix chinês.
“As chegadas em abril atingiram 8,48 milhões t, e a expectativa média para abril-junho supera 10 milhões t por mês”, mostram os registros alfandegários chineses.
Impacto cambial e logístico no radar do produtor brasileiro
Historicamente, cada 1 milhão de toneladas extras demandadas pela China adiciona pressão de alta nos prêmios de exportação e pode fortalecer o real frente ao dólar, dado o ingresso de divisas. Em 2023, por exemplo, o pico de 10,2 milhões t elevou o preço da soja em Paranaguá em cerca de 7% naquele trimestre.
Agora, com o petróleo em patamares elevados, o custo de frete marítimo São Luís–Qingdao já sobe 4% no ano, reduzindo margens de tradings. Produtores devem monitorar ainda a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping nesta semana, que pode redefinir tarifas e direcionar futuros compromissos de compras.
Como isso afeta o seu bolso? Mais demanda costuma se refletir em preços internos mais firmes e câmbio favorável para exportadores, mas encarece ração animal e derivados no supermercado. Para aprofundar o tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS