Medidas legislativas avançam sem fonte de custeio clara e pressionam contas locais
Congresso Nacional – Na reta final da atual sessão legislativa, diversas propostas consideradas “pautas-bomba” avançam em Brasília e somam risco fiscal de R$ 140 bilhões para os cofres das prefeituras, de acordo com estimativas de associações municipalistas divulgadas recentemente.
- Em resumo: aprovação simultânea dos projetos tiraria das cidades valor superior a todo o orçamento anual do Fundo de Participação dos Municípios.
O que está na mesa e por que preocupa o mercado
Entre os textos em debate estão a ampliação de pisos salariais setoriais, renegociação automática de dívidas previdenciárias e a criação de novos subsídios fiscais. Relatório da Secretaria de Orçamento aponta que nenhuma das matérias indica compensação de receita, descumprindo o artigo 17 da Lei de Responsabilidade Fiscal, lembrou a agência Reuters.
“Se todas as medidas forem aprovadas, o impacto chegaria a R$ 140 bilhões até 2026, inviabilizando investimentos essenciais nos municípios”, indica nota técnica da Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Consequências para serviços públicos e histórico recente
Segundo dados do Tesouro Nacional, 55 % das cidades já fecharam 2023 com déficit primário. A adoção de novos pisos de gastos pressionaria ainda mais despesas obrigatórias, elevando risco de atrasos em folha e cortes em saúde e educação. Em 2016, ajuste semelhante resultou em paralisações de coleta de lixo e transporte escolar em mais de 700 prefeituras, mostrando o efeito cascata de choques fiscais locais.
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Crédito da imagem: Divulgação / Gazeta do Povo