Estudo revela que a experiência pode ser a única “proteção” real nesses papéis
Fundação Getulio Vargas (FGV) — Um levantamento recente, em cooperação com a CVM, mostra que a mesma estrada dos Certificados de Operações Estruturadas leva a destinos opostos: quem estreia no mercado tende a ficar 0,29% ao ano atrás do CDI, enquanto investidores tarimbados somam 3,08% acima do referencial.
- Em resumo: Quanto mais complexo o COE, maior o ganho de margens para o emissor e maior o risco de o iniciante sair no prejuízo.
Complexidade vira armadilha — e margem de lucro — para as instituições
Os autores identificaram que os COEs com múltiplos cenários e cestas de ativos pagam, em média, 2,6 p.p. a menos que versões simples. Dados da Reuters mostram que o estoque desses papéis já passa de R$ 100 bilhões, reforçando a relevância do alerta.
“COEs complexos não deveriam ser vendidos a quem nunca comprou uma ação”, adverte o professor Alan de Genaro, da FGV.
Por que o iniciante perde enquanto o veterano lucra?
O estudo cruzou operações reais de 2016 a 2019 e criou uma métrica inédita baseada na experiência prévia em renda variável. O resultado derruba a ideia de que suitability baseado apenas em renda protege o investidor: perfil alto pode significar pouco conhecimento técnico.
Historicamente, o CDI superou 17% no período analisado; aplicando-se as médias do estudo, o veterano chegaria a 20%, e o novato ficaria em 16,71%. Ou seja, a rentabilidade nominal pode até ser positiva, mas o custo de oportunidade é evidente.
Como isso afeta o seu bolso? Antes de embarcar em produtos estruturados, questione o nível de transparência e avalie se já domina os riscos de mercado. Para mais análises sobre investimentos sofisticados, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / B3