Pressão nos preços e risco de escassez acendem alerta em governos e empresas
Agência Internacional de Energia (AIE) — A entidade confirma que a guerra no Irã acelerou a retirada de petróleo dos tanques de armazenamento, levando os estoques visíveis a níveis próximos dos mais baixos desde 2018 e expondo a economia global a novos choques de oferta.
- Em resumo: o mundo perdeu 4,8 milhões de barris por dia em estoques entre 1º/3 e 25/4, segundo o Morgan Stanley.
Recorde de 4,8 milhões de barris/dia deixa mercado exposto
Entre março e abril, a drenagem superou qualquer trimestre já monitorado pela AIE, sinal de que o colchão de segurança está sendo consumido em velocidade sem precedentes. Relatório do JPMorgan destaca que parte desses barris “não pode simplesmente desaparecer” porque compõem o nível mínimo para manter oleodutos, terminais e refinarias operando. A Bloomberg observa que, apesar de uma leve desaceleração recente graças à demanda mais fraca da China, os estoques seguem colados ao piso de 2018 — patamar que antecedeu a última grande alta do Brent. Dados da Reuters mostram que contratos futuros já respondem com volatilidade acima da média anual.
“Os estoques estão atuando como amortecedor de choques do sistema global de petróleo, mas nem todo barril pode ser retirado”, frisa Natasha Kaneva, chefe de commodities globais do JPMorgan.
‘Mínimo operacional’ pode chegar já em setembro, adverte JPMorgan
Se o bloqueio do Estreito de Ormuz persistir, os países da OCDE podem enfrentar “níveis de estresse operacional” já no início do próximo mês, atingindo o chamado mínimo operacional até setembro. Nos Estados Unidos, a combinação de exportações fortes e uso da Reserva Estratégica fez os estoques domésticos recuarem por quatro semanas consecutivas, ficando abaixo da média de cinco anos.
Para conter a escalada nos preços, governos prometeram liberar 400 milhões de barris de reservas estratégicas, mas apenas 20% desse volume chegou ao mercado até agora. O dilema é claro: quanto mais barris forem liberados, menor será o colchão para enfrentar interrupções futuras.
O que muda para o consumidor e para o investidor
Historicamente, cada recuo de 1 milhão de barris/dia nos estoques globais elevou o Brent em cerca de 5% em períodos de estresse, segundo série estatística da própria AIE. Caso o ritmo atual se mantenha, analistas já falam em “prêmio de risco permanente” nos combustíveis, capaz de reacender pressões inflacionárias. Para o bolso do consumidor, isso significa gasolina mais cara em plena temporada de férias no Hemisfério Norte; para quem investe, a tese de energia volta ao radar, mas acompanhada de elevada volatilidade.
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Crédito da imagem: Divulgação / Bloomberg Finance LP