Queda de confiança dos eleitores aumenta risco para o Partido Republicano
Financial Times — A seis meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, levantamento feito pela consultoria Focaldata entre 1º e 5 de maio revela que 58% dos 3.167 eleitores registrados desaprovam a condução da economia pelo presidente Donald Trump, um sinal de alerta para Wall Street e para o bolso do consumidor americano.
- Em resumo: insatisfação com inflação e custo de vida amplia pressão sobre o governo e pode mexer com a precificação dos ativos.
Inflação e gasolina mais cara dominam o debate
De acordo com o estudo, o preço médio da gasolina já ronda US$ 4,60 por galão, quase 50% acima do patamar pré-conflito no Irã. A escalada ocorre justamente quando o índice de preços ao consumidor acumula alta anual de 5,8%, segundo dados do Reuters, comprometendo o poder de compra das famílias.
“Cerca de 55% dos entrevistados afirmam que as tarifas comerciais do governo prejudicam a economia norte-americana”, aponta o relatório acessado pelo FT.
Risco eleitoral e reflexos no mercado doméstico
O desgaste se estende além da inflação. Mais da metade dos respondentes reprova a atuação presidencial em emprego, economia geral e política externa. Em ciclos anteriores, presidentes com aprovação econômica abaixo de 40% perderam em média 26 assentos na Câmara dos Representantes, conforme série histórica do Congressional Research Service.
O temor é que, caso se confirme um revés republicano, projetos de corte de impostos e desregulamentação fiquem paralisados, elevando a incerteza fiscal. Investidores já embutem esse risco: o rendimento do Treasury de 10 anos subiu 15 pontos-base desde o início de maio, sinalizando prêmio extra para a dívida soberana.
Como isso afeta o seu bolso? Juros mais altos encarecem hipotecas, crédito ao consumo e podem balançar a B3, que replica movimentos dos Treasuries. Quer acompanhar a cobertura completa sobre economia e política? Visite nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / AP