Hidrelétricas são trunfo, mas dependência de térmicas mantém alerta ligado
Agência Internacional de Energia (AIE) – Em nota conjunta com FMI e Banco Mundial divulgada recentemente, o órgão alerta que a escalada de conflitos no Oriente Médio eleva os preços de petróleo e gás ao maior choque de oferta desde os anos 1970, gerando impactos assimétricos entre exportadores e importadores de energia.
- Em resumo: a disparada do barril pode encarecer a geração térmica e reacender pressões inflacionárias no Brasil.
Choque geopolítico redireciona investimentos globais
Com o Brent acima de US$ 90, governos correm para blindar seus sistemas elétricos. Segundo dados compilados pela Reuters, fluxo para projetos nucleares e renováveis já supera o recorde pré-pandemia, enquanto a Ásia posterga o desligamento de usinas a carvão para garantir fornecimento imediato.
“O tema que orientará os próximos anos é como governos, empresas e populações vão reduzir sua insegurança”, resume Luiz Carlos Delorme Prado, professor da UFRJ, citando a segurança energética como prioridade sobre a agenda ambiental pura.
Brasil: exportador de óleo, importador de GNL – o dilema
Graças ao pré-sal, o país figura entre os dez maiores produtores de petróleo, o que reforça entrada de dólares quando a cotação dispara. Ao mesmo tempo, ainda precisa de GNL para cobrir picos de demanda nas secas, e muitos contratos termelétricos estão indexados a preços internacionais – o que pode elevar custos de indústrias e da conta de luz.
Nos biocombustíveis, o Brasil é vice-líder global em etanol e avança no biometano, alternativa que pode substituir parte do gás importado. A diversificação, porém, não elimina riscos de curto prazo: se o ciclo hidrológico piorar ou o conflito se alongar, o repasse do diesel e do GNL pode contaminar inflação e exigir ação mais dura do Banco Central.
Como isso afeta o seu bolso? A trajetória do petróleo influencia desde o valor do frete até o preço do pãozinho. Você acredita que o país deveria acelerar fontes renováveis para reduzir a exposição? Compartilhe sua opinião e, para acompanhar análises diárias do mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS