Apps de compras transformam crédito fácil em armadilha silenciosa
Banco Central do Brasil – Dados recém-divulgados mostram que o crédito rotativo do cartão atingiu juros de 428,3% ao ano, enquanto plataformas de e-commerce oferecem parcelamentos em até 21 vezes, intensificando o endividamento das famílias.
- Em resumo: crédito rotativo já soma R$ 109,65 bi e 80,4% das famílias estão endividadas.
Taxa recorde e crédito instantâneo: combinação explosiva
Com a facilidade de “compre agora, pague depois”, aplicativos ampliam limites de forma automática e até estudam virar fintechs. Em março, a Reuters informou que o TikTok procurou o BC para oferecer serviços financeiros, repetindo o modelo já usado por Mercado Livre e Shopee.
“As parcelas parecem menores porque o foco vai para o valor mensal. Isso facilita a compra, mas mascara o impacto total dos juros”, alerta a educadora financeira Ana Paula Hornos (FGV-IDE).
Famílias no limite e oferta relâmpago sem pausa para refletir
A Confederação Nacional do Comércio aponta que cartões de crédito (84,9%) lideram as dívidas dos brasileiros. Campanhas de “data dupla” (03/03, 04/04…) e lives com cupons oferecem até 70% de desconto, criando senso de urgência permanente.
Mesmo com a Selic em dois dígitos, esse juro básico é mais de quarenta vezes menor que o cobrado no rotativo, evidenciando a disparidade de custos no mercado de crédito.
Como isso afeta o seu bolso? Quanto mais tempo o consumidor levar para quitar a fatura, maior será o efeito bola de neve. Para mais análises sobre endividamento e política monetária, acesse nossa editoria especializada.
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