Escalada do combustível coloca pressão extra sobre consumidores e Fed
Associação Automotiva Americana (AAA) — O preço médio da gasolina nos Estados Unidos voltou a ultrapassar, na última terça-feira (9/04), a barreira de US$ 4,229 por galão, nível que não era registrado desde agosto de 2022 e que ameaça repassar novos custos à cadeia de consumo norte-americana.
- Em resumo: combustível caro aumenta a probabilidade de inflação persistente e pode adiar cortes de juros pelo Federal Reserve.
Impasses geopolíticos e petróleo acima de US$ 90 explicam a disparada
A cotação internacional do barril de Brent segue acima de US$ 90, impulsionada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz e pela falta de acordo definitivo entre Washington e Teerã. Segundo dados compilados pela Reuters, a rota responde por cerca de 20% do fluxo global de petróleo.
“O preço médio nacional chegou a US$ 4,229, marca observada pela última vez logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia”, destaca o monitoramento diário da AAA.
O que a nova máxima significa para inflação, Brasil e mercado financeiro
Historicamente, cada alta de 10 centavos no galão adiciona cerca de 0,04 ponto percentual ao índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA. Em 2022, quando o galão atingiu o recorde de US$ 5,016, o CPI superou 9% ao ano, provocando ondas de aversão a risco que também atingiram o real e a B3.
Agora, estados como Califórnia (US$ 5,983) e Havaí (US$ 5,634) já operam bem acima da média. Se o Brent permanecer elevado, analistas veem espaço para novas pressões sobre custos de frete e commodities agrícolas, fatores que resvalam na inflação brasileira via câmbio e preços de derivados.
Como isso afeta o seu bolso? Uma gasolina mais cara nos EUA tende a prolongar juros altos lá fora e dificultar cortes no Brasil, encarecendo crédito e investimentos. Para acompanhar todos os desdobramentos, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS