Choque energético reacende corrida por insumos e preocupa bancos centrais
Bloomberg — Dados obtidos na TRANSMISSÃO: Band | Record indicam que, em meio ao terceiro mês de conflito envolvendo o Irã, indústrias de várias partes do mundo estão inflando seus estoques para se blindar de um possível racionamento de energia, movimento que acende alertas de inflação antes das decisões de juros de junho.
- Em resumo: PMIs preliminares mostram fábricas acumulando insumos ao ritmo mais forte desde a pandemia, elevando custos e expectativas de preços.
PMIs apontam fabricantes no limite
As leituras de maio dos Índices de Gerentes de Compras, a serem divulgadas na quinta-feira, deverão sinalizar expansão na Alemanha, Estados Unidos e Austrália, mas sustentada por “compras para o pior cenário”, segundo projeções da Reuters.
“O PIB da zona do euro cresceu apenas 0,1% e já sente o choque energético, embora o conflito tenha começado no fim de fevereiro”, observa David Powell, economista sênior da Bloomberg Economics.
Inflação pode forçar alta de juros já no próximo mês
A acumulada de preços ao produtor segue encostada em 4% na Europa e em 2,7% nos EUA — patamar considerado alto para bancos centrais que miram metas de 2%. Caso os gargalos se intensifiquem, analistas projetam que o Federal Reserve e o Banco Central Europeu reforcem o discurso duro na reunião de junho, cenário que impacta diretamente o custo de crédito corporativo e, na ponta, o poder de compra das famílias.
Historicamente, episódios de estocagem preventiva — como em 2020, no auge da Covid-19 — elevam o índice global de fretes em até 15% no trimestre seguinte, segundo a B3. Se o padrão se repetir, a logística mais cara deve chegar ao varejo antes da Black Friday, encarecendo desde eletrônicos até alimentos processados.
Como isso afeta o seu bolso? A possibilidade de juros mais altos e produtos renunciados à oferta sugere preços finais maiores. Para acompanhar análises diárias sobre economia e política, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Bloomberg