Inadimplência em pico histórico pressiona 82,8 milhões de brasileiros
Banco Central do Brasil – A escalada do endividamento familiar, que já compromete 49,9% da renda, levou o governo a acelerar o “Novo Desenrola Brasil”, pacote de renegociação que mira dívidas feitas até 31 de janeiro de 2026 e atrasadas entre 90 dias e dois anos.
- Em resumo: descontos de 30% a 90% e juros travados em 1,99% ao mês, com possibilidade de usar até 20% do FGTS.
Endividamento recorde trava consumo e amplia risco bancário
O número de inadimplentes saltou para 82,8 milhões em março, segundo a Reuters, refletindo a maior oferta de crédito – hoje ao alcance de 130 milhões de pessoas. De 2020 a 2024, o volume de adultos com atrasos acima de 90 dias cresceu 47%, superando o ritmo de expansão do crédito.
Em fevereiro, a dívida das famílias bateu 49,9% da renda – maior nível desde o início da série histórica em 2005, informa o Banco Central.
Como funciona o Novo Desenrola e quem pode aderir
O programa foi segmentado em quatro frentes: famílias, empresas, estudantes do Fies e produtores rurais. Para todos, o corte na taxa de juros busca reduzir o peso do cartão de crédito, apontado pelo BC como principal motor do superendividamento, com custo anual que pode superar 400%.
Pessoas físicas com renda de até R$ 8.105 podem negociar débitos de cartão, cheque especial, crédito pessoal ou Fies, gerados até 31/01/2026. A adesão exige consulta aos canais oficiais dos bancos; o valor do FGTS autorizado pelo trabalhador será transferido direto para o credor, blindando o recurso contra outros usos. Quem fechar acordo fica impedido de acessar sites de apostas por 12 meses, como trava a novos riscos.
Historicamente, programas semelhantes – como as rodadas de renegociação de 2016 e 2023 – reduziram a inadimplência em até 5 pontos percentuais nos primeiros seis meses, segundo estudos da autoridade monetária. A expectativa do mercado é que o teto de juros de 1,99% agilize acordos também no Norte e Nordeste, regiões com inadimplência superior à média nacional.
Como isso afeta o seu bolso? A queda na sua dívida pode liberar limite no cartão, melhorar score de crédito e até baixar o seguro do automóvel. Para acompanhar todas as mudanças do programa, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil