Juros longos ainda chamam atenção mesmo com petróleo acima de US$ 90
UBS BB – O braço brasileiro do banco suíço revisou, recentemente, o roteiro de cortes da Selic depois da decisão do Copom, apontando reduções menores, mas mantendo perspectiva de câmbio forte e oportunidade em papéis prefixados de longo prazo.
- Em resumo: UBS BB agora prevê dois cortes de 0,25 p.p. (junho e agosto) e segue comprado no real contra pesos latino-americanos.
Corte mais lento da Selic redesenha renda fixa
A mudança de projeção foi motivada pelo salto do petróleo; enquanto o Brent não ceder de forma consistente abaixo de US$ 90, a autoridade monetária tende a preservar o ritmo moderado, observa o banco. De acordo com dados compilados pela Reuters, o mercado futuro já precifica essa desaceleração.
“Enquanto o barril de Brent não recuar de forma consistente abaixo de US$ 90, o BC deve manter esse ritmo mais gradual de cortes”, destaca o relatório do UBS BB.
Para setembro, os estrategistas mantêm a expectativa de um ajuste maior, em torno de 0,50 p.p., mas condicionam qualquer passo seguinte ao cenário fiscal e ao comportamento inflacionário às vésperas das eleições municipais.
Real valorizado e janela nos títulos de 10 anos
Mesmo com cortes menores, o juro real brasileiro ronda 10% ao ano, bem acima da taxa neutra estimada em 6%. Esse diferencial, combinado ao perfil exportador do país, sustenta a aposta no real frente ao peso mexicano e ao peso chileno.
Nos títulos do Tesouro de vencimento em dez anos, o UBS BB mantém posição comprada. Apesar da recente acomodação das taxas, o banco enxerga patamares historicamente atrativos e risco fiscal de curto prazo limitado, abrindo espaço para ganho de capital caso o ciclo de afrouxamento avance em 2025.
Como isso afeta o seu bolso? Uma Selic cadenciadamente menor prolonga a atratividade de papéis de renda fixa de prazo maior, mas também pressiona o custo do crédito menos rápido que o imaginado. Para aprofundar o tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS