Compromisso de três anos pressiona exportadores rivais como Brasil e Austrália
Casa Branca – Em comunicado divulgado recentemente, Washington confirmou que Pequim comprará pelo menos US$17 bilhões anuais em commodities agrícolas norte-americanas, além da soja, pelos próximos três anos, movimento capaz de redesenhar fluxos globais e balançar cotações de grãos, carnes e fibras.
- Em resumo: compras podem saltar de US$8 bi em 2025 para até US$30 bi por ano, reabrindo espaço para milho, trigo, carne e algodão dos EUA.
Disputa por mercado acirra preços e ameaça fatia brasileira
A cifra anunciada equivale a quase um terço de todo o agronegócio exportado pelos EUA em 2024 e pode deslocar volumes vendidos por competidores como Brasil e Canadá, segundo análise da Reuters.
‘Alcançar US$17 bilhões anuais excluindo a soja provavelmente exigirá que a China redirecionasse intencionalmente as compras dos fornecedores existentes para os Estados Unidos por motivos políticos e estratégicos, e não por motivos puramente comerciais’, afirmou Cheang Kang Wei, vice-presidente da StoneX em Cingapura.
Tarifas, cotas e histórico: por que o acordo importa para o bolso
Em 2022, as importações agrícolas chinesas vindas dos EUA atingiram US$38 bilhões antes de despencar para US$8 bilhões no ano passado, reflexo da guerra comercial. O novo compromisso recoloca o patamar entre US$28 bi e US$30 bi anuais, acima dos US$24 bi de 2024.
O acerto também prevê retirar barreiras não tarifárias para carne bovina e aves, enquanto mantém cotas de 9,64 milhões de toneladas de trigo e 7,2 milhões de toneladas de milho com tarifa de 1%; volumes extras continuam taxados em 65%. Já a soja dos EUA, beneficiada por preços competitivos, tem meta de 25 milhões de toneladas por ciclo.
Como isso afeta o seu bolso? Se a China redirecionar compras hoje feitas ao Brasil, prêmios ao produtor local podem minguar e insumos para ração encarecer. Para mais detalhes sobre este tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters