Selic elevada comprime orçamento e reabre programa de renegociação
Banco Central do Brasil – Mesmo após o último corte de 0,25 p.p., a taxa Selic segue em 14,5% e, combinada a spreads bancários de 34,6 p.p., mantém uma das maiores cargas de juros do mundo, pressionando diretamente o bolso do consumidor brasileiro.
- Em resumo: 80% das famílias já têm dívidas e o governo relançou o Novo Desenrola para tentar conter a escalada.
Spread recorde encarece o crédito e amplifica inadimplência
Dados do próprio Banco Central mostram que o juro médio para pessoas físicas chega a 61% ao ano, patamar quase dez vezes superior à média global de 6 p.p. estimada pelo Banco Mundial. Essa diferença coloca o Brasil no topo do ranking internacional de spreads, à frente de economias emergentes e até de nações em conflito.
“Os juros dos empréstimos estão muito altos. Isso tem relação direta com o endividamento das pessoas e dificulta a economia a funcionar”, alerta Maria Lourdes Mollo, professora da UnB.
A pesquisa mensal da CNC confirma o efeito: em abril, 29,7% das famílias estavam com contas em atraso e, entre quem ganha até três salários mínimos, a taxa de inadimplência saltou para 38,2%.
Novo Desenrola tenta aliviar a bola de neve de juros compostos
Para mitigar o impacto, o governo federal reabriu o Novo Desenrola Brasil, programa de 90 dias que oferece descontos de até 90%, possibilidade de uso do FGTS e juros reduzidos na renegociação. Embora não altere a estrutura dos spreads, a medida pode liberar parte da renda comprometida e reaquecer o consumo de curto prazo.
Historicamente, programas de renegociação como o Refis ou o próprio Desenrola anterior reduziram a inadimplência em até 5 p.p. nos seis meses seguintes, segundo levantamento da Reuters. Se repetir o desempenho, o alívio deve refletir em menor risco de crédito e, consequentemente, em spreads ligeiramente mais baixos nas linhas de consumo.
Como isso afeta o seu bolso? Dívidas negociadas com desconto podem diminuir a parcela mensal e evitar que juros rotativos – que superam 400% ao ano no cartão – continuem corroendo o orçamento. Para mais análises sobre juros, inflação e renda, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil