Fenômeno climático extremo pressiona custos agrícolas antes mesmo de chegar
Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) — especialistas alertam que o aquecimento anormal das águas do Pacífico, previsto para se intensificar até 2026, já vem mudando as projeções de safra e acendendo o sinal de alerta para a inflação dos alimentos no Brasil.
- Em resumo: analistas calculam que o Super El Niño pode encolher a oferta de grãos em até 8%, elevando custos ao consumidor.
Oferta menor, inflação maior: o recado do mercado futuro
Contratos futuros de soja e milho na B3 passaram a embutir prêmios climáticos, refletindo projeções de seca prolongada no Sul e excesso de chuvas no Norte. Segundo dados compilados pela Reuters, episódios anteriores de El Niño reduziram a produção brasileira de grãos em até 13 milhões de toneladas.
Entenda como o Super El Niño de 2026 pode prejudicar a produção agrícola no Brasil e elevar o preço dos alimentos devido às mudanças climáticas extremas.
Histórico mostra que impacto vai além do campo
Na última forte ocorrência (2015/2016), o índice de alimentos do IPCA subiu 12,9% no acumulado anual, contra 8,7% do índice cheio. Na época, o Banco Central elevou a Selic para conter a inércia inflacionária. Desta vez, o cenário encontra o juro básico em 10,50% e uma inflação ainda resistente no grupo alimentação fora do domicílio, o que limita a margem de manobra da política monetária.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que cada ponto percentual de quebra na safra de grãos subtrai 0,15 ponto do PIB agrícola. Se o Super El Niño repetir a intensidade recorde vista em 1997/1998, o impacto pode ultrapassar R$ 25 bilhões em valor bruto de produção, repercutindo nos preços de itens básicos como arroz, feijão e óleo de soja.
Como isso afeta o seu bolso? Menor oferta significa gôndolas mais caras e pressão direta no custo da refeição diária. Para acompanhar análises atualizadas sobre clima e inflação, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Gazeta do Povo