Corte era esperado, mas riscos externos e inflação desafiam próximos passos
Banco Central do Brasil (Copom) – Na última quarta-feira (29), o comitê reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 14,50% ao ano, segundo ajuste consecutivo que, apesar de precificado, reascende o debate sobre espaço para afrouxar ainda mais a política monetária.
- Em resumo: juros menores aliviam o crédito, mas tensões no Oriente Médio e expectativas de inflação elevadas podem segurar novos cortes.
Inflação na mira: por que 0,25 p.p. pode ser o teto da cautela
Analistas viram na ata sinal de “passos graduais” enquanto o mercado monitora a desancoragem das expectativas e o impacto do petróleo — sensível ao conflito envolvendo o Irã. Dados do painel da Reuters mostram que, antes da decisão, swaps precificavam Selic perto de 12,5% até dezembro, cenário agora em xeque.
“Quando o mercado financeiro deixa de acreditar que o Banco Central conseguirá entregar a inflação na meta, as expectativas de longo prazo se elevam, criando um círculo vicioso: pressões inflacionárias maiores exigem juros mais altos para serem controladas, limitando o espaço para novos cortes”, avaliou Luiz Arthur Hotz Fioreze, da Oryx Capital.
Histórico da Selic e impacto no seu bolso
A taxa não ficava abaixo de 15% desde o primeiro semestre de 2025. Para lembrar, a Selic chegou a 45% em 2003 e só voltou a um dígito em 2012, segundo série do Banco Central. Cada 1 ponto de queda hoje reduz em média R$ 16 na parcela de um financiamento imobiliário de R$ 200 mil a 30 anos e favorece setores intensivos em capital, como varejo e construção.
Como isso afeta o seu bolso? Menos juros significam crédito ligeiramente mais barato, mas a janela pode fechar se a inflação ou as tensões geopolíticas pressionarem o câmbio. Para acompanhar novas movimentações da Selic, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central